Fotografia Macro

Quem não fica fascinado ao ver uma fotografia de um insecto ampliado e apreciar pormenores indistinguíveis a olho nu?
Não há dúvida que a fotografia macro nos permite descobrir um mundo novo. Neste artigo vamos falar sobre as várias alternativas disponíveis para capturar este tipo de imagens.

Fotografia Macro



O que é a fotografia macro?


Embora este termo seja aplicado de forma geral para qualquer fotografia onde o objecto é retratado de uma forma muito próxima, muitos apenas classificam uma fotografia como macro quando o seu factor de magnificação é igual ou superior a 1:1. Este factor é a relação entre o tamanho, no mundo real, do motivo fotografado e a sua representação no plano do sensor ou filme.

No exemplo abaixo, foi utilizada uma câmara com um sensor APS-C de aproximadamente 2.2cm de comprimento. Como podemos confirmar na fotografia do meio, quando a magnificação é 1:1, a imagem é representada em tamanho real no plano do sensor. Por outras palavras, 2.2cm da régua preenchem completamente o enquadramento da fotografia.

Fotografia Macro 1:2 Fotografia Macro 1:1 Fotografia Macro 2:1
1:2 ou 0.5x 1:1 ou 1x 2:1 ou 2x



Que material necessito?


De forma a conseguirmos magnificações mais elevadas, temos de aproximar mais a objectiva do motivo. O que acontece é que todas as lentes têm uma distância mínima de focagem, a partir da qual não é possível focar.
Para ultrapassar esta "barreira" temos várias alternativas:

  • Objectiva macro dedicada
    Esta é a solução mais simples e versátil mas, também, a mais dispendiosa. As lentes macro dedicadas têm a particularidade de permitir focar muito mais perto que uma objectiva "normal" conseguindo, assim, magnificações de 1:1 ou superiores. Alguns exemplos com excelente qualidade são:
  • Tubos de extensão
    São tubos vazios que são colocados entre a objectiva e o corpo da câmara e diminuem a distância mínima de focagem. A vantagem desta alternativa é poderem ser usados com qualquer objectiva e, uma vez que não contêm elementos de vidro, não degradam a qualidade da imagem.

  • Lente invertida
    Possivelmente a solução mais económica de todas, pois podemos usar uma lente que já tenhamos. Esta técnica consiste em virar a lente ao contrário. Para tal, existem adaptadores que permitem encaixar a lente invertida na câmara. As lentes fixas entre 28mm e 50mm são as mais usadas nesta técnica, sendo a magnificação maior quanto menor a distância focal da lente. É necessário ter em conta que, pelo facto de a lente ser invertida, deixa de ser possível controlar a abertura da mesma através da câmara. Por este motivo, é preferível inverter objectivas de controlo manual.

  • Lentes close-up
    Estas lentes enroscam-se na parte frontal da objectiva e funcionam como uns óculos de ver ao perto, permitindo focar a distâncias menores.

  • Tele-conversores
    São lentes que são colocadas entre a câmara e a objectiva e permitem ampliar a imagem. Se usarmos um tele-conversor de 2x com uma lente de 200mm teremos um efeito parecido ao de usar uma lente de 400mm. Como os tele-conversores mantêm a distância mínima de focagem, na prática estaremos a duplicar a capacidade de magnificação da objectiva.

  • Combinações
    Para obter maiores magnificações, estas técnicas podem ser combinadas e também usadas com tele-conversores. É possível, por exemplo, usar um tele-conversor, seguido de um tubo de extensão e uma lente invertida.


Independentemente da alternativa escolhida, um dos maiores desafios da fotografia macro é conseguir luz suficiente para capturar as imagens. Tal como foi referido anteriormente, a profundidade de campo diminui à medida que nos aproximamos do motivo. Em fotografia macro estas aproximações são extremas e, desta forma, muitas vezes estaremos a lidar com profundidades de campo inferiores a 1mm.
A forma de aumentar a profundidade de campo é diminuir a abertura da lente. Como sabes, quanto menor for a abertura, menos luz passará no mesmo intervalo de tempo e é este o motivo pelo qual precisamos de muita luz para este tipo de fotografia.

Desta forma, para obter fotografias de qualidade, torna-se quase imprescindível o uso de um ou mais flashes com difusores. A boa notícia é que grande parte destes difusores pode ser feito em casa!


Algumas dicas para começar...


  • Persistência. Os primeiros resultados podem ser desanimadores porque muitas imagens vão ficar tremidas ou com o foco no ponto errado. Não desistas! Tenta perceber onde estás a errar e continua a praticar. A fotografia macro não é fácil, mas vale a pena!
  • Se estiveres a fotografar animais, escolhe os olhos como ponto de foco.
  • Qualquer movimento da câmara é ampliado em fotografia macro. Procura não usar velocidades abaixo de 1/200 (principalmente sem flash).
  • Muitas vezes os insectos parecem fugir sempre que nos aproximamos. Experimenta aguardar 5 minutos no mesmo sítio e, por vezes, eles perdem o medo e voltam.
  • Cuidado com o fundo! Com a emoção de estar, finalmente, a conseguir fotografar o insecto que queríamos, frequentemente não prestamos atenção ao fundo e o resultado são fotografias desinteressantes esteticamente. Tenta enquadrar o insecto de forma a que o fundo fique desfocado e verás que o motivo principal irá ganhar muito mais destaque.
  • Experimenta com diferentes aberturas para obteres a profundidade de campo pretendida. Tenta não usar aberturas inferiores a f/14 para não perderes demasiada nitidez devido à difracção da luz.
  • Usa focagem manual. Aproxima-te ou afasta-te do motivo para ajustar o foco com precisão.
  • Respeita sempre os animais.
  • Diverte-te! :)

© Mário Pereira - 2012
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Sharpening (Aumentar a Nitidez)

Já te aconteceu veres fotos em galerias na internet e perguntares-te: "Porque é que as minhas fotos não ficam assim tão nítidas? Talvez se tivesse uma câmara e uma lente melhor..."

É indiscutível que há lentes mais nítidas que outras mas, quando falamos em imagens de tamanho reduzido como as que vemos na internet, há outro factor que tem uma importância enorme: O sharpening ou, em português, aumentar a nitidez.


O que é o sharpening?



As imagens que vemos num ecrã de um computador são representadas por um conjunto de quadrados chamados píxeis. Cada píxel tem apenas uma única cor que o preenche completamente.

Imagina a seguinte situação:
Uma câmara de 12 Megapíxeis cria fotos com 12 000 000 píxeis. Se redimensionarmos uma foto para um tamanho menor, com 750p de comprimento e 500p de altura (dimensões padrão de algumas galerias on-line), vamos criar uma imagem com 750*500 = 375 000 píxeis. Isto significa que vamos deitar fora 97% dos píxeis e, com eles, grande parte dos detalhes da imagem!

Como é natural, ao perder tantos píxeis a imagem vai perder definição e nitidez. É aqui que entra o sharpening! Quando aplicamos este processo, vamos fazer com que as imagens pareçam mais nítidas e, até, mais focadas.

A imagem abaixo foi reduzida a partir de um original com 12 Megapíxeis. Passa o rato por cima para veres a versão com sharpening aplicado. Notas a diferença?




Como aplicar o sharpening?



Este processo pode ser aplicado de várias formas e está disponível em, praticamente, todas as ferramentas de edição de imagem.

No Photoshop, podemos fazer, por exemplo, da seguinte forma:
  • Redimensionar a imagem em "Image" -> "Image Size".
  • Escolher o tamanho pretendido, garantindo que temos a opção "Constrain Proportions" seleccionada, de forma a manter as proporções originais.
  • No menu, seleccionar "Filter" -> "Sharpen" -> "Unsharp Mask".
  • Como ponto de partida escolher 0.5 píxeis no Radius, 0 no Threshold, modificar o Amount até a imagem ficar no ponto pretendido e clicar OK.


Como com qualquer outra técnica de processamento de imagem, é preciso ter muito cuidado para não exagerar. Como podes ver na imagem abaixo, é muito fácil fazer com que uma fotografia deixe de parecer natural quando se aplica sharpening em excesso!




Conclusão

Actuamente, grande parte dos amantes de fotografia têm as suas fotos expostas em alguma galeria on-line.
Alguns destes serviços aplicam os seus próprios algoritmos de sharpening às imagens que enviamos. É por esta razão que as fotos do flickr tendem a parecer mais nítidas que as de outros sites que se limitam a redimensionar as imagens, quando o seu tamanho ultrapassa o recomendado. Pessoalmente, prefiro a segunda opção porque me dá mais controlo sobre o aspecto final da fotografia.

Se queres garantir que as tuas imagens têm a melhor qualidade possível nos sites que não fazem sharpening automático, o melhor é fazeres tu o redimensionamento, aumentar a nitidez e enviar a imagem já com o tamanho recomendado pelo site. Garanto-te que vais notar a diferença!


Como sempre, se tens algum truque que queiras partilhar, podes fazê-lo nos comentários!



© Mário Pereira - 2012
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Composição Fotográfica

Neste artigo vamos fugir um pouco da parte técnica e concentrar-nos, apenas, na componente estética da fotografia. A razão pela qual tenho insistido nos aspectos mais técnicos deve-se ao facto de acreditar que, para conseguirmos atingir os resultados que pretendemos, devemos dominar completamente as ferramentas de que dispomos. No entanto, nunca nos podemos esquecer que a fotografia é uma arte e, como tal, a componente estética é da maior importância.

Sempre que tiramos uma fotografia temos de tomar várias decisões no que diz respeito à composição. Com o tempo elas vão começar a ser tomadas de uma forma mais instintiva mas é importante, numa primeira fase, fazer um esforço para pensar e ponderar os seguintes pontos:


O que incluir na imagem?



Eu gosto de pensar nesta questão ao contrário: O que excluir da imagem?

Charles Mingus, um grande compositor e músico de jazz, uma vez disse: "Tornar o simples complicado, isso é comum. Tornar o complicado simples, incrivelmente simples, isso é criatividade."

Todos os elementos da imagem vão competir entre si pelo protagonismo. Apenas devemos incluir os elementos que têm importância para a composição ou para a história a ser contada pela fotografia. Se tivermos isto em conta, iremos criar imagens com mais força e significado que vão ser mais agradáveis à vista. Desta forma, o espectador irá "absorver" a imagem de uma forma muito mais natural e não vai ter dificuldade em distinguir o motivo ou motivos principais da foto.


Como organizar e dispor os elementos na imagem?



Depois de decidirmos o que incluir, é necessário pensar a forma em que vamos dispor os elementos na fotografia. Ao contrário da imagem captada pelos nossos olhos quando presenciamos algo, uma fotografia é bi-dimensional e está limitada a uma área, normalmente um rectângulo.

Felizmente, ao longo de séculos de artes gráficas, foram sido concebidas ideias sobre como criar imagens mais agradáveis à vista. Embora estas ideias sejam frequentemente denominadas por "regras de composição", é importante perceber que são apenas sugestões. A fotografia é uma arte, não tem regras!


"Regra" dos Terços



Talvez a sugestão de composição mais conhecida. O seu conceito é bastante simples: Dividir a imagem em 3 partes horizontais e 3 partes verticais iguais.
Os elementos mais importantes da imagem devem ser colocados nas linhas ou nas suas intersecções.
(Passa o rato por cima das imagem para as veres sem as linhas)




Proporção Dourada ou Divina



Este conceito é baseado na sequência de Fibonacci, onde cada número é a soma dos dois anteriores: 0, 1, 1, 2, 3, 5, 8, 13, 21, 34...
É fascinante a forma como esta sequência está presente na natureza e como é usada em muitas obras de pintura, escultura e arquitectura. Aconselho a ver este vídeo:



Na prática este conceito é muito parecido à "regra" dos terços - a diferença está nas proporções. Em vez de usar o rácio 1.5 é usado o rácio dourado: 1.618 (limite das divisões de cada número da série Fibonacci pelo anterior)



Com base no mesmo rácio pode ser criada a espiral dourada.





Linhas



As linhas horizontais dão a sensação de estabilidade.



Linhas diagonais ou curvas transmitem dinamismo.



Os nossos olhos têm tendência para segui-las, portanto, podemos usá-las para guiar o espectador para uma determinada zona da imagem.






Perspectiva



Alterar a perspectiva é uma das melhores formas de modificar a composição. À medida que nos aproximamos do motivo, o seu tamanho aumenta em relação aos outros elementos da imagem.




Outras ideias...



Deixar espaço na direcção do olhar/movimento do motivo principal.



Jogar com a simetria, padrões e cores.



O simples facto de nos abaixarmos pode melhorar radicalmente uma imagem.




Conclusão

Ao contrário da parte técnica, a composição é um assunto muito subjectivo. O que é bonito para uns pode não agradar a outros e acredito que é possível tirar grandes fotografias sem o mínimo conhecimento destes conceitos. No entanto, ainda que nenhuma destas ideias garanta uma boa foto, estou convencido que podem ajudar a conseguirmos melhores imagens.

Da próxima vez que tirares uma foto, antes de carregares no botão, pensa no que podes fazer para melhorar a composição. Será que podes aproveitar alguma linha ou linhas? Subir a um sítio mais alto para mudar a perspectiva? Aproximar-te? Excluir algum elemento que não seja essencial? Usar a "regra" dos terços ou a espiral dourada?



© Mário Pereira - 2012
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Compensação da Exposição (EV +/-)

Todos nós já verificamos que, em certas situações, a câmara não escolhe a exposição que nós pensamos ser a correcta e presenteia-nos com imagens demasiado escuras (sub-expostas) ou demasiado claras (sobre-expostas).

Se estivermos a fotografar no modo manual, podemos corrigir a exposição alterando a velocidade do obturador, a abertura ou o ISO manualmente de forma a compensar o erro de medição.
Se estivermos a usar um modo automático, como o Programa, Prioridade à Velocidade ou Prioridade à Abertura, temos de recorrer à função de Compensação da Exposição (Exposure Compensation).


Como funciona?
O conceito é muito simples. Tiramos uma foto e verificamos no LCD da câmara se ficou com a exposição que pretendemos.
  • Caso tenha ficado sub-exposta compensamos positivamente (+EV).
  • Caso tenha ficado sobre-exposta compensamos negativamente (-EV).

Normalmente as câmaras permitem compensar a exposição entre -2EV e +2EV, sendo esta funcionalidade activada a partir de um botão parecido com este . Para saberes como utilizar esta função na tua câmara, aconselho-te a ler o manual de instruções porque o processo pode variar de modelo para modelo.


Alguns casos típicos

Contra-luz
Exposição correcta, segundo a câmara. Nesta foto pretendia capturar um pouco mais do detalhe da estrutura. Para tal, fiz uma compensação da exposição de +1 EV.


Amanhecer ou anoitecer
Exposição correcta, segundo a câmara. Esta foto foi tirada antes do nascer do sol e precisei de compensar a exposição com -2 EV para conseguir reproduzir as tonalidades que o céu apresentava no altura.


Motivos pretos/brancos (ou quase)
Exposição correcta, segundo a câmara. Ao medir a luz na cabra, por esta ser preta, a câmara sugeriu uma exposição mais clara porque achou que estava escuro. Neste caso, foi preciso compensar a exposição com -2 EV.
Pelo motivo inverso, se o motivo for branco, a câmara vai sugerir uma exposição mais escura e teremos de compensar com EV positivo.


Com a prática, vamos aprendendo a identificar estas situações e fazer a devida compensação mesmo antes de tirar a foto. No entanto, convém sempre dar uma olhadela ao LCD para nos assegurarmos que as fotografias ficaram bem expostas.


Conclusão
A medição de luz das câmaras modernas é bastante avançada e, na maior parte das vezes, não necessitamos de recorrer à compensação da exposição. No entanto, como podes ver, existem situações em que a medição da câmara não é a ideal e nós, como bons fotógrafos que somos, temos de saber dar a volta à situação! :)
A câmara é apenas uma ferramenta e temos de a dominar a 100% para conseguirmos tirar as fotos como as idealizamos, independentemente da situação.

© Mário Pereira - 2012
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Fotografia Nocturna

No que diz respeito a esta arte, a verdade mais absoluta é que sem luz não há fotografia e, consequentemente, fotografar em condições de luz insuficiente torna-se um desafio.
Sem algumas noções sobre fotografia com pouca luz, tirar uma foto nítida e com a exposição correcta pode revelar-se uma verdadeira dor de cabeça.

O problema surge quando não conseguimos escolher uma velocidade do obturador suficientemente rápida para a foto não ficar tremida. Uma forma simples de saber qual a velocidade mínima que podemos usar é seguir a seguinte regra: V.Min. = 1/Dist. Focal
Ou seja, se tivermos uma distância focal de 50mm, a velocidade mínima segura para a foto não ficar tremida é 1/50s (partindo do princípio que o objecto a fotografar está imóvel).

Quando este limite é atingido e não podemos aumentar mais o ISO sem estragar a foto com o ruído, temos de tomar decisões.
As situações que podemos encontrar são variadíssimas e não existe uma fórmula mágica que resolva todos os problemas. Precisamos de nos fazer as seguintes perguntas:

  • Posso usar flash?
    • Em alguns locais não é permitido o seu uso.
    • Os flashes têm um alcance limitado. Assim sendo, não os podemos utilizar se quisermos fotografar algo que não esteja perto.
  • Quero usar flash?
    • A luz artificial produzida pelo flash é geralmente muito dura dando, por vezes, um aspecto pouco natural às fotos.
  • Vou fotografar sem flash e preciso de tempos de exposição longos para captar luz suficiente. Como faço para a foto não ficar tremida?
    • Se tiver o tripé à mão e puder usá-lo, está resolvido!
    • Senão... vou ter de apoiar a câmara em algo.

Apenas após analisar todas as condicionantes podemos tomar as decisões que nos irão permitir obter a foto que idealizamos.

Velocidade: 15 seg | Abertura: f/8 | ISO: 100


Esta foto foi tirada a partir de um quarto de hotel em Toronto. Devido à distância a que estava dos prédios, usar flash estava completamente fora de questão - tinha de recorrer a uma longa exposição.

Na altura não tinha o tripé comigo e, para garantir que a câmara estava imóvel enquanto o obturador estava aberto, tive de improvisar colocando-a em cima de uma caixa no parapeito da janela.

Regulei o valor da sensibilidade ISO para 100 para evitar ruído na imagem.

Para aumentar a profundidade de campo de forma a permitir que todos os prédios ficassem focados, precisava de usar uma abertura pequena. Escolhi o modo de prioridade à abertura e inseri um valor de abertura de f/8.
Neste modo, após premir o botão do obturador até meio, a câmara automaticamente calculou uma velocidade de 15 segundos para obter a exposição correcta.

Estava tudo preparado e só faltava carregar no botão. No entanto, este último e aparentemente simples passo pode ter uma implicação muito grande na nitidez da fotografia. Mesmo usando um tripé, por mais cuidadosos que sejamos, ao carregarmos no botão do obturador vamos criar algum tipo de vibração.
Para resolver este problema usei o temporizador de disparo automático da câmara regulado para 10 segundos (outra solução seria recorrer a um disparador remoto que é um comando que permite disparar à distância).

Et... voilà! Uma recordação de Toronto à noite que dificilmente teria se apenas usasse o modo automático da câmara. O mais provável teria sido o flash saltar e ficar com uma linda foto do reflexo da luz no vidro da janela :)


Experimentar e aperfeiçoar

Aconselho-te vivamente a fazer experiências em casa, sem qualquer tipo de pressão. Desta forma, podes aperfeiçoar a tua técnica e os conhecimentos para depois os aplicares quando for necessário.

A foto em baixo foi tirada quando comprei o tripé e explorava as longas exposições a partir da varanda. Até aqui, não acreditava em fantasmas :)

Velocidade: 10 seg | Abertura: f/8 | ISO: 100



Conclusão

A fotografia nocturna pode trazer resultados muito interessantes. Apenas devemos ter em conta que vamos precisar de tempos de exposição mais prolongados para conseguir captar luz suficiente. Para tal, temos de recorrer a um tripé ou a um apoio para que as fotos não fiquem tremidas.
O importante é usar a criatividade e brincar com as luzes. Experimenta incluir luzes em movimento, como as de carros a passar.

Boas fotos e não te esqueças de partilhar!

© Mário Pereira - 2012
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Fotografia a Preto e Branco

Talvez por ter nascido nos anos 80, época em que a fotografia a cores já era popular, a fotografia a preto e branco sempre me tenha passado um pouco ao lado. A primeira câmara que tive era analógica mas nunca cheguei a usar um rolo a preto e branco.

Apesar da aparente evolução, fui-me apercebendo que a fotografia a preto e branco continuava "na moda" e simplesmente não conseguia entender porquê. Era como se, hoje em dia, alguém preferisse ter uma televisão a preto e branco em vez de uma a cores!

No entanto, nos últimos tempos, a minha opinião em relação a este assunto tem vindo a mudar. Há algo na fotografia a preto e branco que a torna especial e isso começou a intrigar-me. Como é que, retirando algo tão importante como a cor, conseguimos acrescentar valor a uma imagem?

Uma das razões que faz com que a fotografia a preto e branco seja tão apelativa é o facto de, ao contrário da fotografia a cores, não ser uma representação demasiado exacta do mundo. Sem cor, a fotografia passa a ser uma interpretação artística de um determinado cenário e elementos como as texturas, o contraste tonal, a luz e as formas ganham uma outra força.

O segredo para tirar melhores fotos a preto e branco está em conseguir "ver" a preto e branco. Saber à partida quais os cenários e enquadramentos que dão um bom preto e branco e porquê. Este é, para mim, um verdadeiro desafio. Embora muitas vezes não consiga ser bem sucedido, em outras continuo a ficar surpreendido com os resultados.

No exemplo em baixo podemos ver como as formas ganham outra dimensão quando excluímos a cor.





Outra característica interessante do preto e branco é a sua capacidade de transmitir uma sensação de nostalgia e intemporalidade. Há algo de misterioso e dramático neste tipo de fotografia, talvez por não conseguirmos ver o mundo assim com os nossos olhos.





Não quero, de forma alguma, passar a mensagem de que a fotografia a preto e branco é melhor que a fotografa a cores. A cor é um elemento poderoso e há imagens que perderiam muito do interesse se convertidas para preto e branco.

É claro que, no que diz respeito a fotografia digital, aconselho a captar a cores e obter o preto e branco através de pós-processamento da imagem. Vou abordar este assunto num próximo artigo.

E tu? O que achas da fotografia a preto e branco?

© Mário Pereira - 2012
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HDR (High Dynamic Range)

Como amante da fotografia já deves, certamente, ter ouvido falar de HDR.

HDR é a abreviatura de High Dynamic Range e pode ser traduzido para português como Grande Alcance Dinâmico. Esta técnica de pós-processamento permite-nos, tal como o nome indica, criar imagens que conseguem representar cenários onde o alcance dinâmico (relação entre o EV máximo e mínimo) não poderia ser representado numa fotografia normal.
Por outras palavras, o HDR permite-nos retratar uma cena que tenha uma grande diferença de luminosidade entre as partes mais claras e as mais escuras.

Vejamos o exemplo em baixo para analisar 3 das opções que teríamos se quiséssemos fotografar esta paisagem onde a diferença de luminosidade entre os diversos elementos é muito grande.

-2 EV 0 EV +2 EV
Sub Exposta Média Sobre Exposta
Se quiséssemos captar os detalhes do céu e das nuvens teríamos de sub-expor tudo o resto, tirando completamente o interesse da imagem. A opção intermédia, calculada por defeito pela câmara, talvez fosse a mais indicada. No entanto, nesta fotografia as partes mais claras do céu encontram-se queimadas e o segundo barco e a margem estão demasiado escuros. Optando por sobre-expor a imagem, conseguimos realçar os detalhes do segundo barco e da margem mas, como é óbvio, o céu e parte dos reflexos no rio ficaram completamente queimados.


Se "pegarmos" nos pontos fortes de cada uma das 3 imagens podemos criar uma 4ª imagem onde todas as zonas ficam com o nível ideal de luminosidade. Isto consegue-se através do processamento HDR.




Como fazer um HDR?



1. Tirar as fotografias
Para obteres os melhores resultados deves ter em atenção os seguintes pontos:

  • Usar tripé
    Embora os programas tentem alinhar as imagens, se estas já estiverem perfeitamente alinhadas os resultados serão muito melhores.
  • Tirar as fotos em sequência rápida
    Quanto mais tempo passar entre as capturas, maior a probabilidade de alguma coisa mudar na cena que estás a fotografar.
  • Usar focagem manual
    Para garantir que a focagem não muda entre as fotografias o melhor é usar focagem manual. Podes focar automaticamente e depois mudar para manual de forma a fixar a focagem.
  • Usar a mesma abertura
    Como já foi referido, a abertura influencia a profundidade de campo. Aconselho-te a usar o modo de prioridade à abertura de modo a fixá-la para todas as fotos.
  • Usar o mesmo ISO
    De preferência o mais baixo possível para garantir fotografias sem ruído.

Se a tua câmara tiver a opção Auto Bracketing, usa-a. Esta opção permite escolher o intervalo EV entre as fotografias e tirá-las de forma sequencial.
No exemplo acima tirei 3 fotografias com saltos de 2 EV. A 1ª com -2 EV, a 2ª normal e a 3ª com +2 EV.


2. Juntar as imagens
Para criar uma imagem HDR é necessário ter um software específico. Entre os programas capazes de fazer HDR estão o Photomatix, Photoshop e o Nik Software HDR mas, neste tutorial, vou-me cingir ao Photomatix.
É possível fazer download grátis de uma versão experimental aqui.

O objectivo deste artigo não é ser um tutorial deste programa mas sim dar uma ideia base de como fazer um HDR.
  • Abre o Photomatix e carrega em "Generate HDR Image".
  • Na janela seguinte escolhe as 3 fotografias base.
  • Selecciona "Align source images" se tiraste as fotografias sem tripé e carrega em OK.
  • Agora deve aparecer uma imagem que é a versão HDR por processar. Carrega na opção "Tone Mapping".
  • Nesta fase podes jogar com as diferentes barras do lado esquerdo e ver como influenciam a imagem. São imensas as combinações e cada imagem é um caso. Não existe uma configuração que funcione para todas as situações. O segredo está mesmo em não ter medo de experimentar. As diferentes opções disponíveis na caixa "Presets", na parte inferior esquerda, podem ser um bom ponto de partida.
  • Assim que estiveres satisfeito com o resultado carrega em "Process" para gerar a imagem HDR. Depois guarda a imagem no formato que quiseres em "File - Save As".


Conclusão


O HDR é apenas uma técnica de pós-processamento e, como tal, não funciona bem em todas as fotos. É preciso termos sentido de auto-crítica para identificarmos quando deve ou não ser usada.
Devemos sempre estar preparados para deitar o trabalho fora e tentar outra abordagem!

Boas edições!

© Mário Pereira - 2012
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Fotografar em RAW ou JPEG?

Antes de mais, quero alertar-te para o facto de nem todas as câmaras permitirem gravar imagens no formato RAW. Aconselho-te a ler o manual de instruções caso não tenhas a certeza em relação à tua câmara.

Este artigo vem em seguimento do anterior onde referi que o equilíbrio dos brancos poderia ser ajustado em pós-processamento, sem perda de qualidade, se usássemos o formato RAW em vez de JPEG para gravar as imagens. Acho que fiquei a dever algumas explicações e aqui estão elas :)

Mas afinal o que é o formato RAW?


Podemos pensar num ficheiro RAW como o equivalente digital ao negativo nas câmaras analógicas.

Quando tiramos uma fotografia em JPEG, na realidade, o que a câmara faz é recolher a luz através do sensor, gravar a informação em memória para um ficheiro RAW, convertê-lo para JPEG e apagar o ficheiro RAW da memória.


E para que preciso do ficheiro RAW?


O problema é que nesta conversão automática, configurações da câmara como o contraste, a saturação das cores, o equilíbrio dos brancos, sharpening, etc, são gravadas no ficheiro JPEG de forma irreversível. A precisão das cores também vai ser limitada pelo facto de os JPEG terem uma profundidade de cor de 8 bits e as câmaras modernas captarem imagens a 12 ou 14 bits.

Só para clarificar o tema dos bits, uma profundidade de cor de 8 bits significa que cada pixel pode guardar um canal com 8 bits de vermelho, 8 de azul e 8 de verde. Em 8 bits podem ser representados 2^8 = 256 valores. Assim sendo, num pixel com 3 canais de 8 bits podem ser representadas 256 x 256 x 256 = 16.777.216 cores.
Com 14 bits podemos guardar 2^14 = 16.384 valores. Ou seja, podemos representar 16.384 x 16.384 x 16.384 = 4.398.046.511.104 cores. 262.144 vezes mais!!!

É verdade que depois, muito provavelmente, iremos pegar no RAW e criar um JPEG com 8 bits mas, essa informação extra que tem o ficheiro RAW vai-nos permitir fazer edições na imagem conservando muitos mais detalhes do que se editássemos o ficheiro JPEG gerado pela câmara.

Como uma imagem vale mais que mil palavras, aqui vai um exemplo:

Versão original
Ao tirar esta foto cometi um erro de medição e ficou sobre-exposta. Podes ver que grande parte da imagem está "queimada" e perdeu-se bastante detalhe no corpo da gaivota.
Vou tentar corrigir esta sobre-exposição num programa de edição de imagens.
JPEG na câmara
Pegando no ficheiro JPEG convertido pela câmara consegui diminuir a exposição num editor de imagem e este foi o resultado.
Está melhor que a original mas nota-se que grande parte do detalhe das zonas mais claras ficou perdido.
JPEG a partir do RAW
Felizmente tinha também a versão RAW da fotografia! :)
Como podes ver, a partir do ficheiro RAW consegui recuperar o detalhe das partes "queimadas" da imagem e as cores ficaram bastante mais naturais.
Uma fotografia que parecia perdida pôde ser recuperada graças à informação extra que não deitamos fora.


Conclusão


Não há dúvida que o ficheiro RAW traz imensas vantagens na altura de fazer ajustes posteriores nas fotografias. No entanto, este formato tem também algumas desvantagens em relação ao JPEG:
  • O tamanho dos ficheiros é cerca de 3 ou 4 vezes maior, dependendo da câmara. Isto vai ter um impacto no número de fotos que entram num cartão de memória e também, a longo prazo, no disco do computador. Além disso, imagens maiores demoram mais tempo a serem gravadas.
  • É sempre necessário processar os ficheiros no computador. Um ficheiro RAW não sai da câmara bonitinho como um JPEG porque, na verdade, ainda não recebeu qualquer tipo de processamento.
  • O formato RAW não é standard e é específico de cada câmara sendo necessário um software compatível para ler os ficheiros. Normalmente as câmaras trazem um CD com um software para editar e converter os ficheiros RAW. Alternativamente, também podes usar programas como o Photoshop, Lightroom ou outros de download gratuito já compatíveis com os diferentes formatos.
    Por isso, já sabes, não envies as fotos das férias em RAW aos amigos pois corres o risco de eles não as conseguirem ver. Devem ser convertidas primeiro para JPEG.


Cabe-te agora a ti ponderar os prós e os contras.
Se estás indeciso(a), tenho uma boa notícia. Muitas câmaras permitem gravar as fotos em RAW e JPEG ao mesmo tempo, criando 2 ficheiros por cada foto. Deste modo, podes ter as fotos de forma imediata em JPEG e, caso queiras fazer uma alteração mais profunda, podes sempre recorrer ao ficheiro RAW.

© Mário Pereira - 2012
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Equilíbrio dos Brancos ou White Balance

No outro dia vi um documentário na televisão que falava sobre a capacidade que o nosso cérebro tem de conseguir compensar as características da luz ambiente de forma a vermos correctamente as cores.
Por exemplo, quando entramos na nossa sala iluminada com uma lâmpada incandescente (luz amarelada) e olhamos para a parede que sabemos que é branca, o nosso cérebro automaticamente faz a compensação das cores de forma a vermos a parede branca.
Sem este ajuste veríamos a parede num tom mais amarelado devido à propriedade quente da luz proveniente da lâmpada incandescente.

Por ser um fenómeno que nos passa despercebido, não lhe damos muita importância.
Infelizmente as nossas câmaras não conseguem fazer esta compensação de uma forma tão precisa como nós. Embora tenham a opção de calcular o equilíbrio dos brancos automaticamente, muitas vezes verificamos que essa compensação não está correcta.
Nas imagens abaixo podemos ver como uma leitura incorrecta pode influenciar drasticamente uma fotografia.

Cor Fria Equilíbrio dos brancos correcto Cor quente
Cores demasiado frias. Equilíbrio dos brancos correcto. Cores demasiado quentes.


Configurar o equilíbrio dos brancos na câmara



As opções variam um pouco entre marcas e modelos mas resumem-se basicamente às seguintes:

 Automático
A câmara escolhe automaticamente a compensação de cor baseando-se na sua leitura das condições de luz. Funciona relativamente bem mas em alguns casos faz leituras bastante erradas.

 Personalizado
Com esta opção é possível configurar a compensação da cor manualmente. Em muitas câmaras isto é feito apontando a câmara para um objecto branco fornecendo-lhe, assim, um ponto de referência.
Para mais detalhes aconselho-te a ler o manual de instruções.

 Luz do dia
Para usar em dias de céu limpo.

 Nublado
Como a própria imagem indica, para usar em dias nublados.

 Incandescente
Deve ser usada em interiores iluminados com lâmpadas incandescentes.

 Fluorescente
Compensação para iluminação com lâmpadas fluorescentes.

 Flash
Este modo está configurado para compensar a variação na cor provocada pelo flash da câmara.


Ou então... configurar depois!
Acertar com o equilíbrio dos brancos na altura de tirar a foto nem sempre é simples. Além disso, muitas vezes só reparamos que as cores estão desequilibradas quando chegamos a casa e vemos as fotografias no computador.

O segredo aqui está em configurar a câmara para gravar as imagens em RAW em vez de JPEG (infelizmente não é possível em todas as câmaras). Brevemente irei escrever um artigo sobre este formato mas posso dizer já que nos dá uma versatilidade muito maior na hora de editar as imagens.

Uma das vantagens de fotografar em RAW é, precisamente, poder editar o equilíbrio dos brancos no computador sem ter implicações na qualidade da imagem. Usando um conversor de RAW podemos corrigir as cores independentemente do modo de equilíbrio dos brancos que tínhamos escolhido no momento em que tiramos a fotografia.

Boas fotos!

© Mário Pereira - 2012
Proibida a cópia integral ou parcial dos textos


Modos de Medição de Luz (Metering Modes)

No post sobre o modo manual falei um pouco sobre o fotómetro. Para quem passou o post à frente, relembro que o fotómetro é um medidor da intensidade de luz que está presente em qualquer câmara fotográfica.

Os modos de medição (metering modes em inglês) definem a forma na qual o fotómetro mede a luz presente numa determinada cena.

Uma vez que os nomes e as especificações dos modos variam de câmara para câmara, vou explicar como funcionam os modos da minha câmara, a Canon 450D. Muito provavelmente a tua câmara tem modos parecidos mas, para detalhes mais específicos em relação ao teu modelo, aconselho-te a pesquisar no manual de instruções.


 Evaluative/Matrix Metering
Este é o modo que está seleccionado por defeito na maior partes das câmaras. Com esta opção o fotómetro dá mais importância à medição da luz na zona à volta do ponto da focagem automática.
Este modo é bastante útil para retratos pois, nestes casos, a área de foco é normalmente a área que queremos que esteja bem exposta.

 Partial Metering
Aqui a medição é feita numa zona no centro que cobre 9% da área total do visor. Este modo deve ser usado, por exemplo, em situações nas quais o fundo é muito mais claro que o motivo principal. Desta forma evitamos que a câmara sub-exponha toda a imagem para compensar a grande quantidade de luz atrás.

 Spot Metering
Este modo é muito semelhante ao anterior mas ainda mais específico. A área medida é apenas 4% do visor. Com este modo conseguimos medir a luz num determinado ponto, ignorando o resto da cena.

 Center Weighted Average Metering
Como o próprio nome indica, este modo calcula a média da quantidade de luz dando um peso maior ao centro. É um pouco parecido com o evaluative mas dá sempre importância ao centro e não ao ponto da focagem automática.


Conclusão
Como em tudo na fotografia, não há nada como experimentar. Não existe um modo melhor que outro pois todos têm as suas vantagens e desvantagens.
O desafio está em saber qual o modo a escolher em cada situação. Esta escolha pode ser a diferença entre uma boa fotografia ou uma fotografia perdida.

Boas fotos!

© Mário Pereira - 2012
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